O Bourgogne “Les Emolissières”
Na Borgonha, a pirâmide de appellations existe por uma razão precisa: cada degrau, do Bourgogne regional ao Grand Cru, é uma declaração de origem cada vez mais específica, cada vez mais enraizada num solo, numa encosta, num microterroir. Mas o que torna os vinhos regionais de um domaine como o Didier Amiot únicos não é a appellation em si e sim o endereço real da vinha. “Les Emolissières” é um lieu-dit específico, uma parcela com nome e identidade dentro do território de Morey-Saint-Denis, vinificada e engarrafada com o mesmo rigor que Didier dedica a todos os seus vinhos, dos regionais ao Clos de la Roche.
O território vitícola de Morey tem uma notável unidade estrutural que confere às suas parcelas de appellation communale e regional uma certa proximidade com os crus vizinhos. Longe de serem simples alternativas menos onerosas, os vinhos de Morey têm uma classe que os posiciona entre as melhores relações qualidade-preço de toda a Côte de Nuits. É nesse espírito que nasce o “Les Emolissières”: um vinho de entrada que carrega o DNA do domaine e do território e que tem muito mais a dizer do que o rótulo sugere.
Na vinha, o domaine pratica a poda Poussard e cuida dos solos com lavração a cavalo e a trator; os sarmentos são triturados e reintegrados para nutrir o solo naturalmente, em plena conformidade com a agricultura biológica certificada, obtida na safra 2023. As colheitas são realizadas manualmente, em pequenas caixas, por um grupo restrito de família e amigos. Na adega, os tintos passam por uma maceração pré-fermentária a frio de 4 a 5 dias, seguida de uma fermentação alcoólica de 15 a 17 dias para uma extração progressiva e controlada dos aromas e da estrutura. O envelhecimento se dá em tonéis de carvalho nas caves históricas do domaine.
Na taça, o “Les Emolissières” é um Pinot Noir de toque claro e luminoso, com o frescor e a precisão que definem a mão de Didier Amiot. Cor rubis viva com reflexos violáceos; no nariz, alternância entre frutas negras, como cassis, mirtilo e frutas vermelhas de caroço como cereja, com variantes de violeta e especiarias. Na boca, textura sedosa e taninos presentes, mas finos, com um equilíbrio que convida à segunda taça. Um vinho para beber com alegria e para entender, desde o primeiro gole, por que Morey-Saint-Denis é um dos terroirs mais subestimados da Borgonha.