Benjamin Petit
Benjamin Petit é o tipo de produtor que só existe quando uma pessoa decide, de forma consciente e corajosa, recomeçar do zero. Depois de criar seus filhos no Vercors e administrar um restaurante orgânico, ele retornou em 2010 à sua região natal, Trigny, para retomar os vinhedos da família, chegando sem nenhum conhecimento prévio de viticultura. Aprendeu a conhecer a vinha ano a ano, com paciência e dedicação.
Em 2016, após alguns anos cultivando essa relação íntima com o terroir, tomou a decisão que resume tudo o que ele representa: converter integralmente os 4 hectares de vinhedos do domaine à agricultura biológica. Para dominar a vinificação com a precisão que desejava, passou um ano em Dijon, no Institut Universitaire de la Vigne et du Vin, onde se aprofundou nos segredos dos tonéis de carvalho, técnica que se tornaria a assinatura de sua produção. Sua primeira vinificação aconteceu em 2019 e sua primeira cuvée, batizada de “Jeannine” em homenagem à avó que fundou o domaine, foi apresentada ao mundo apenas em 2024. Uma espera que diz muito sobre sua personalidade: para Benjamin, não há atalhos.
Localizado em Trigny, no coração do Massif de Saint-Thierry, por vezes chamado de Petite Montagne de Reims, o domaine ocupa 4 hectares cultivados inteiramente em agricultura biológica certificada, com solos argilosos e arenosos típicos da região, que favorecem especialmente o Pinot Meunier, o Pinot Noir e o Chardonnay.
Na adega, Benjamin seleciona apenas as melhores parcelas para produzir cuvées de caráter confidencial, com efeito millésime plenamente assumido, onde ele não tenta “corrigir” ou equalizar o caráter da safra para produzir um champagne padronizado, como as grandes casas costumam fazer, aqui ele abraça as particularidades de cada safra, para que cada cuvée seja exclusiva de um único ano.
Com produção entre 1.000 a 5.000 garrafas por lote, os vinhos são vinificados em tonéis de carvalho francês de 500 litros, sobre borras, sem filtração, sem colagem e sem qualquer aditivo e as cuvées parcellaires repousam no mínimo 36 meses sobre as lias antes do dégorgement em Brut Nature, sem uma única grama de açúcar adicionado. A cuvée “Jeannine”, sua mais emblemática, é envelhecida entre 24 e 36 meses, com o dégorgement em Extra-Brut, com entre 0 e 5 g/l de licor de expedição.
Benjamin não para aí. Cada garrafa é habillée inteiramente à mão, em colaboração com artesãos portadores do Selo EPV (Entreprises du Patrimoine Vivant), distinção francesa reservada a guardiões de savoir-faire raros. O rótulo é confeccionado em algodão 100% natural do histórico Moulin Richard de Bas e impresso em máquina Letterpress artesanal; uma citação pessoal é impressa em pergaminho da Tannerie Dumas; e o lacre de cera que sela cada garrafa vem dos ateliês Herbin. Um cuidado que transforma cada garrafa em objeto.
Benjamin Petit chegou a Champagne sem herança técnica, mas com uma filosofia clara: trabalho, respeito e excelência. Seus vinhos são o reflexo direto disso: concentrados, minerais, com personalidade marcante e um olhar honesto sobre o millésime e o terroir de Trigny.