Domaine de Marzilly - Champagne Ullens

Champagne Ullens L.P.M. Extra Brut – Lot 05

Valor

R$1.120,00

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Descrição

O Champagne Ullens LPM

Três letras. Três significados. Uma mesma convicção.

A cuvée LPM é ao mesmo tempo uma ode ao Meunier, outrora chamado de Le Pinot Meunier, ao terroir da La Petite Montagne, o nome histórico pelo qual o Massif de Saint-Thierry era conhecido nos livros de vinho do século passado, e às barricas do Le Parc de Marzilly, a floresta do domaine de onde vêm os carvalhos que as constroem. É um vinho que nasce inteiro dentro do próprio domaine: das videiras, da terra e das árvores. Poucos champagnes no mundo podem dizer o mesmo.

A LPM é a declaração de amor de Maxime Ullens ao Pinot Meunier. Enquanto as grandes maisons da Champagne tratam o Meunier como cépage de segundo plano, útil para arredondar assemblages, mas raramente digno de aparecer sozinho no rótulo, Maxime busca Pinot Meunier em todas as faces do Massif de Saint-Thierry, com exposições completamente diferentes entre si, para construir um champagne de complexidade e profundidade que esta cepa raramente tem a oportunidade de demonstrar. A LPM é, portanto, um Blanc de Noirs de cepa única e de terroir único, uma reivindicação da nobreza do Meunier feita com gestos concretos, não com palavras.

O Lot 05 foi engarrafado em março de 2023, fermentado e envelhecido durante 16 meses sobre borras finas em barricas de carvalho de 205 litros provenientes das florestas do próprio domaine. O remuage é inteiramente manual, em pupitres. Degorgado em setembro de 2024, com dosagem de 2,3 g/l, portanto classificado como Extra Brut, sem colagem e sem filtração. Degorgado à la volée (técnica de dégorgement manual sem congelamento prévio da rolha, exigindo precisão e experiência consideráveis do vigneron), o LPM 05 é descrito como mais mineral e alongado do que seus lotes anteriores, uma evolução que acompanha o amadurecimento do próprio Maxime como produtor e o aprofundamento de sua leitura do terroir.

Na taça, aromas generosos de manteiga, notas tostadas e ameixa amarela (mirabelle), com frescor surpreendente para um vinho de tanto volume e presença. Toda a generosidade e grandeza do Pinot Meunier estão aqui, sem mediação, sem correção, sem disfarce. Um champagne de autor. Um vinho que convence quem ainda duvidava do Meunier.

Produtor

Há histórias de vinho que começam com uma família, uma adega herdada, gerações de saber acumulado. A história de Maxime Ullens começa com ruínas.

Em 2012, Maxime Ullens de Schooten era um jovem arquiteto belga dedicado à restauração de edifícios históricos em Bruxelas quando foi informado sobre um imóvel extraordinário em estado de abandono total perto de Hermonville, no Massif de Saint-Thierry, em Champagne. O Château de Marzilly havia pertencido a diversas famílias ao longo dos séculos, e apesar de ter sobrevivido às duas guerras mundiais, o castelo foi se desfazendo lentamente.

Maxime e seu pai compraram o domaine e iniciaram a restauração. Chamaram Claude e Lydia Bourguignon, conhecidos pelas análises de solo nos vinhedos da Borgonha, para realizar uma análise microbiológica completa do terroir. Na floresta ao redor do castelo, descobriram algo surpreendente: videiras sobreviventes milagrosas da filoxera. A explicação para essa sobrevivência estava no solo: arenoso e seco, o tipo de terroir que o inseto simplesmente não aprecia. Essa descoberta mudou tudo. O que começou como um projeto de restauração arquitetônica tornou-se a fundação de um domaine vitícola inteiramente novo.

Não constrangido por nenhuma tradição familiar, Maxime não tinha o peso de um domaine herdado com regras a respeitar. A vantagem é que ele não se proíbe nada, e conta muito com a inovação. Mas antes de inovar, era preciso aprender. Maxime retomou os estudos no Lycée Viticole d’Avize, onde obteve seu brevet de exploitant agricole. Cada dia após as aulas, ia de porta em porta visitar produtores para aprender e pedir conselhos. Oito anos depois de adquirir as ruínas, o Domaine de Marzilly ressurgiu magnificamente e a primeira cuvée do Champagne Ullens chegou ao mercado.

O reconhecimento foi rápido e inequívoco. O Gault & Millau elegeu Maxime Ullens Vigneron de l’Année 2020 para Champagne, uma distinção raramente concedida a alguém de fora do métier, e que diz muito sobre a clareza de visão que ele trouxe para a região.

Localizado na região mais setentrional de toda Champagne, o domaine trabalha hoje cerca de 4 hectares em conversão orgânica, com o Pinot Meunier como grande protagonista. É ao Meunier, cultivado nos solos arenosos e particulares de Hermonville, que Maxime quer resgatar o seu lugar de nobreza na Champagne. Sua abordagem é deliberadamente dedicada a esse cépage, frequentemente visto apenas como complemento de assemblage, mas que, segundo ele, revela muito mais textura, equilíbrio e complexidade quando cultivado e vinificado com atenção real.

Na adega, a fermentação alcoólica ocorre integralmente em barricas de carvalho de 205 litros, com leveduras indígenas. As faces laterais das barricas são feitas de vidro em vez de madeira, uma escolha deliberada de Maxime, que explica: “As aduelas das extremidades normalmente não são tostadas tão bem quanto as laterais, e podem dar um verdor ao vinho que não quero. Por isso uso vidro.” A madeira para as barricas vem das próprias florestas do Château de Marzilly: a cada ano, um carvalho do domaine é abatido e transformado em barricas pelo toneleiro Jérôme Viard, instalado em Hermonville. Em contrapartida, cinco novos carvalhos são replantados. Um ciclo de respeito e renovação que poucos produtores no mundo podem afirmar praticar.

As cuvées envelhecem 36 meses em garrafa sobre as lias, com remuage inteiramente manual, um processo estendido que pode durar até 36 dias. O objetivo declarado de Maxime é produzir um champagne mais concentrado, estruturado e tenso, o oposto do estilo leve e imediato ao qual a região nos acostumou.

O Champagne Ullens é o resultado de tudo isso: vinho de um belga que chegou à Champagne sem herança e construiu, tijolo por tijolo, vinha por vinha, uma das histórias mais originais da região. Não há atalhos aqui, apenas há visão, método e uma paixão que se sente no copo.