O Morey-Saint-Denis 1er Cru “Aux Charmes”
Na Borgonha, o endereço de uma parcela diz muito antes mesmo de a rolha ser aberta. E o endereço do Morey-Saint-Denis “Aux Charmes” é, simplesmente, extraordinário. Apenas uma pequena estrada separa esta vinha de dois Grands Crus de peso: o Clos de la Roche, de Morey-Saint-Denis, e o Charmes-Chambertin, de Gevrey-Chambertin. Premier Cru por classificação, mas Grand Cru por vizinhança. É nessa fronteira privilegiada, a 260 metros de altitude, voltado para leste e sudeste, sobre solos calcários rasos com afloramentos de calcário duro tipo Comblanchien, que Didier Amiot cultiva sua parcela mais emblemática.
E esta não é uma vinha qualquer. Plantada em 1955, é a mais antiga do domaine, com mais de 70 anos de idade. São raízes que descem fundo, que conhecem o solo em profundidade, que produzem pouco e bem e que imprimem ao vinho uma concentração e uma complexidade que só as videiras velhas sabem dar. É daqui que nasce o Morey-Saint-Denis Premier Cru “Aux Charmes” de Didier Amiot.
“Aux Charmes” é sinônimo de um estilo que o Domaine Pierre Amiot et Fils já havia consagrado e que Didier continua com convicção: um vinho de rara elegância e grande riqueza, com nariz floral, boca delicada e taninos sempre muito suaves. O Premier Cru mais sedutor do domaine, que se aprecia logo nos primeiros anos, mas revela toda a sua grandeza com o tempo.
Na adega, o mesmo rigor de toda a gama: colheita manual, triagem em mesa vibratória, maceração a frio de 5 a 7 dias, fermentação com leveduras indígenas, envelhecimento em tonéis de carvalho francês de 228 litros durante 15 a 18 meses, com trasfegagens e engarrafamento em função do calendário lunar. Para esta appellation, o envelhecimento inclui uma proporção de madeira nova, que enquadra sem oprimir a elegância natural do climat.
Na taça, o Morey-Saint-Denis Premier Cru “Aux Charmes” de Didier Amiot é um vinho que seduz sem esforço. Aromas de groselha, framboesa selvagem e violeta aparecem no nariz com uma elegância natural, acompanhados de notas sutis de terra e especiaria. Na boca, é macio, fresco e comprido, com aquela mineralidade discreta que vai aparecendo aos poucos e que faz você querer voltar à taça. Um Premier Cru que não precisa esperar décadas para convencer, mas que recompensa generosamente quem tiver a paciência de guardar.