A Cuvée Jeannine
Em Champagne, a prática dominante das grandes maisons é justamente a de apagar o rastro do tempo: anos são misturados, safras são niveladas, e o vinho resultado é sempre o mesmo: previsível, reconhecível e sem surpresas. Benjamin Petit faz o oposto. Cada cuvée que sai de sua adega em Trigny é um retrato fiel do ano em que nasceu, com todas as suas particularidades climáticas, seus desafios e suas graças. Para Benjamin, a safra não é um obstáculo a contornar, é a alma do vinho.
A cuvée Jeannine é a expressão mais emblemática dessa filosofia e carrega o nome da avó de Benjamin, a mulher que fundou o domaine com seu trabalho e que dá nome ao vinho mais importante da casa.
A safra 2020 foi a terceira de alta qualidade consecutiva na Champagne, formando com 2018 e 2019 uma trilogia de excelência raramente vista na região. O inverno foi um dos mais quentes e chuvosos em mais de um século, o que garantiu reservas hídricas generosas nos solos e antecipou o broto das videiras. O verão quente e predominantemente seco manteve a pressão de doenças sob controle, favorecendo uvas de saúde impecável. A colheita foi uma das mais precoces já registradas na história da região, com alguns produtores colhendo já em meados de agosto e o Pinot Noir, em particular, foi apontado como o grande protagonista do ano, com qualidade excepcional e potencial aromático extraordinário. A produção total foi deliberadamente limitada pelo Comité de Champagne a 8.000 kg por hectare em resposta à queda histórica na demanda provocada pela pandemia de Covid-19, o que resultou em vinhos de concentração e complexidade ainda mais pronunciadas.
A Jeannine 2020 reflete com precisão esse ano excepcional. Diferentemente da 2019, que privilegiava 80% de Pinot Noir, esta versão adota um assemblage equilibrado em partes iguais: 50% Pinot Noir e 50% Chardonnay, proveniente de duas parcelas selecionadas: Jardin (plantada em 2013) e Marisson (plantada em 1978). Vinificada por um ano em barricas de carvalho francês de 220 litros, foi engarrafada em setembro de 2020, passou pelo remuage manual em pupitres e foi degorgée à mão em dezembro de 2023. Dosada em 0 g/l (Brut Nature(, sem qualquer adição de licor de expedição, é a expressão mais pura e direta possível do terroir e da safra.
Apenas 780 garrafas foram produzidas.
Na taça, a Jeannine 2020 é um champagne poderoso e vinoso, que conjuga força e suavidade com equilíbrio notável. O boisé elegante da passagem pelo carvalho integra-se à generosidade e profundidade do Pinot Noir do ano, enquanto o Chardonnay em proporção igualitária empresta frescura, precisão mineral e comprimento de boca. Um champagne essencialmente gastronômico, nascido para a mesa.