Benjamin Petit

Champagne Benjamin Petit Jeannine – 2020

2020

Valor

R$1.585,00

6 em estoque

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Descrição

A Cuvée Jeannine

Em Champagne, a prática dominante das grandes maisons é justamente a de apagar o rastro do tempo: anos são misturados, safras são niveladas, e o vinho resultado é sempre o mesmo: previsível, reconhecível e sem surpresas. Benjamin Petit faz o oposto. Cada cuvée que sai de sua adega em Trigny é um retrato fiel do ano em que nasceu, com todas as suas particularidades climáticas, seus desafios e suas graças. Para Benjamin, a safra não é um obstáculo a contornar, é a alma do vinho.

A cuvée Jeannine é a expressão mais emblemática dessa filosofia e carrega o nome da avó de Benjamin, a mulher que fundou o domaine com seu trabalho e que dá nome ao vinho mais importante da casa.

A safra 2020 foi a terceira de alta qualidade consecutiva na Champagne, formando com 2018 e 2019 uma trilogia de excelência raramente vista na região. O inverno foi um dos mais quentes e chuvosos em mais de um século, o que garantiu reservas hídricas generosas nos solos e antecipou o broto das videiras. O verão quente e predominantemente seco manteve a pressão de doenças sob controle, favorecendo uvas de saúde impecável. A colheita foi uma das mais precoces já registradas na história da região, com alguns produtores colhendo já em meados de agosto e o Pinot Noir, em particular, foi apontado como o grande protagonista do ano, com qualidade excepcional e potencial aromático extraordinário. A produção total foi deliberadamente limitada pelo Comité de Champagne a 8.000 kg por hectare em resposta à queda histórica na demanda provocada pela pandemia de Covid-19, o que resultou em vinhos de concentração e complexidade ainda mais pronunciadas.

A Jeannine 2020 reflete com precisão esse ano excepcional. Diferentemente da 2019, que privilegiava 80% de Pinot Noir, esta versão adota um assemblage equilibrado em partes iguais: 50% Pinot Noir e 50% Chardonnay, proveniente de duas parcelas selecionadas: Jardin (plantada em 2013) e Marisson (plantada em 1978). Vinificada por um ano em barricas de carvalho francês de 220 litros, foi engarrafada em setembro de 2020, passou pelo remuage manual em pupitres e foi degorgée à mão em dezembro de 2023. Dosada em 0 g/l (Brut Nature(, sem qualquer adição de licor de expedição, é a expressão mais pura e direta possível do terroir e da safra.

Apenas 780 garrafas foram produzidas.

Na taça, a Jeannine 2020 é um champagne poderoso e vinoso, que conjuga força e suavidade com equilíbrio notável. O boisé elegante da passagem pelo carvalho integra-se à generosidade e profundidade do Pinot Noir do ano, enquanto o Chardonnay em proporção igualitária empresta frescura, precisão mineral e comprimento de boca. Um champagne essencialmente gastronômico, nascido para a mesa.

Produtor

Benjamin Petit é o tipo de produtor que só existe quando uma pessoa decide, de forma consciente e corajosa, recomeçar do zero. Depois de criar seus filhos no Vercors e administrar um restaurante orgânico, ele retornou em 2010 à sua região natal, Trigny, para retomar os vinhedos da família, chegando sem nenhum conhecimento prévio de viticultura. Aprendeu a conhecer a vinha ano a ano, com paciência e dedicação.

Em 2016, após alguns anos cultivando essa relação íntima com o terroir, tomou a decisão que resume tudo o que ele representa: converter integralmente os 4 hectares de vinhedos do domaine à agricultura biológica. Para dominar a vinificação com a precisão que desejava, passou um ano em Dijon, no Institut Universitaire de la Vigne et du Vin, onde se aprofundou nos segredos dos tonéis de carvalho, técnica que se tornaria a assinatura de sua produção. Sua primeira vinificação aconteceu em 2019 e sua primeira cuvée, batizada de “Jeannine” em homenagem à avó que fundou o domaine, foi apresentada ao mundo apenas em 2024. Uma espera que diz muito sobre sua personalidade: para Benjamin, não há atalhos.

Localizado em Trigny, no coração do Massif de Saint-Thierry, por vezes chamado de Petite Montagne de Reims, o domaine ocupa 4 hectares cultivados inteiramente em agricultura biológica certificada, com solos argilosos e arenosos típicos da região, que favorecem especialmente o Pinot Meunier, o Pinot Noir e o Chardonnay.

Na adega, Benjamin seleciona apenas as melhores parcelas para produzir cuvées de caráter confidencial, com efeito millésime plenamente assumido, onde ele não tenta “corrigir” ou equalizar o caráter da safra para produzir um champagne padronizado, como as grandes casas costumam fazer, aqui ele abraça as particularidades de cada safra, para que cada cuvée seja exclusiva de um único ano.

Com produção entre 1.000 a 5.000 garrafas por lote, os vinhos são vinificados em tonéis de carvalho francês de 500 litros, sobre borras, sem filtração, sem colagem e sem qualquer aditivo e as cuvées parcellaires repousam no mínimo 36 meses sobre as lias antes do dégorgement em Brut Nature, sem uma única grama de açúcar adicionado. A cuvée “Jeannine”, sua mais emblemática, é envelhecida entre 24 e 36 meses, com o dégorgement em Extra-Brut, com entre 0 e 5 g/l de licor de expedição.

Benjamin não para aí. Cada garrafa é habillée inteiramente à mão, em colaboração com artesãos portadores do Selo EPV (Entreprises du Patrimoine Vivant), distinção francesa reservada a guardiões de savoir-faire raros. O rótulo é confeccionado em algodão 100% natural do histórico Moulin Richard de Bas e impresso em máquina Letterpress artesanal; uma citação pessoal é impressa em pergaminho da Tannerie Dumas; e o lacre de cera que sela cada garrafa vem dos ateliês Herbin. Um cuidado que transforma cada garrafa em objeto.

Benjamin Petit chegou a Champagne sem herança técnica, mas com uma filosofia clara: trabalho, respeito e excelência. Seus vinhos são o reflexo direto disso: concentrados, minerais, com personalidade marcante e um olhar honesto sobre o millésime e o terroir de Trigny.